A televisão e o ensino

No âmbito da Unidade Curricular Língua Portuguesa e Tecnologia de Informação e Comunicação foi-nos solicitado que escolhêssemos uma emissão televisiva adequada a um contexto de educação formal (pré-escolar, 1º ciclo ou 2º ciclo), destacando as suas potencialidades no ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa, e que a partir dessa produzíssemos duas atividades que desenvolvessem um determinado conteúdo programático no domínio do português. O contexto educativo selecionado foi o 2º ciclo do ensino básico e as atividades têm como público-alvo crianças que frequentem o 5º ano de escolaridade. A razão pela qual escolhemos este ano de escolaridade, dentro deste ciclo de ensino, foi a possibilidade de relacionar este trabalho com a observação, feita por um elemento do grupo, das aulas de Português de uma turma de 5º ano durante a prática pedagógica.
O termo audiovisual é usado para mencionar uma comunicação conjunta através do som e da imagem (Recursos audiovisuais: Conceitos de audiovisual e tecnologia educativa, 2005). Os recursos audiovisuais são ferramentas que, atualmente, ajudam o professor na transmissão dos conteúdos programáticos (Lopes, 2007).
A televisão é um recurso audiovisual que está conexa “a um contexto de lazer, de entretenimento, que passa de forma mais ou menos explícita para a sala de aula” (Ferreira, 2010: 23). Ao usar este recurso, os professores procuram integrar nos seus métodos de ensino filmes, séries televisivas, pequenos vídeos ou documentários como estratégias pedagógicas para: despertar o interesse e motivação dos alunos; introduzir, desenvolver ou concluir determinados conteúdos; e proporcionarem, aos alunos, diferentes formas de interpretação, análise e reflexão de várias temáticas (Ferreira, 2010; Lopes, 2007).
A emissão televisiva que escolhemos foi Mitos e Lendas, que faz parte do ZIG ZAG, espaço de programação infantil da RTP para crianças entre os 18 meses e os 14 anos que passa na RTP2 de segunda a sexta-feira das 7 às 11 horas e das 17 às 20 horas, aos fins de semana das 8 às 11 horas. Também, na RTP Internacional aos sábados, das 11 às 12 horas e na RTP África das 15 às 16 horas (ZIG ZAG, 2002). Este espaço é constituído por desenho animados, momentos de música, pequenas atividades relacionadas com a natureza, experiências laboratoriais, Hora do Conto e Mitos e Lendas.
Mitos e Lendas é constituído por pequenas histórias, com cerca de um minuto, que retratam, tal como o nome indica, mitos ou lendas. Este programa, tem como público-alvo crianças entre os 4 e os 10 anos e todas as semanas existe um novo episódio, ou seja, a história é repetida (consoante a programação do espaço) durante uma semana até ser lançado um episódio novo.
O episódio selecionado para a realização das atividades foi a Lenda das Amendoeiras em Flor. Esta lenda conta a história de uma princesa de um país nórdico que casa com um rei português e vem viver para um castelo no Algarve, mas fica com saudades da neve do seu país natal e o rei ao ver que a princesa está triste manda plantar Amendoeiras para que quando as flores da árvore abrirem parecer que está num campo cheio de neve.
Com esta emissão televisiva podem ser trabalhados diversos conteúdos relacionados com a Língua Portuguesa: a construção progressiva no “domínio do funcionamento da língua, na oralidade e na escrita”; a interpretação e a produção de textos orais e escritos; e o desenvolvimento da competência narrativa, tanto na compreensão como na interpretação e produção de histórias (Buescu, Morais, Rocha, & Magalhães, 2015). Estes conteúdos podem ser trabalhados de várias formas, dependendo dos objetivos que os professores querem atingir e das atividades que se realizam após o visionamento da emissão televisiva.
Tal como mencionamos anteriormente, as atividades que escolhemos foram direcionadas a um público-alvo específico, a turma de 5º ano que foi observada no decorrer do estágio. Esta turma é constituída por vinte e um alunos, dois têm necessidades educativas especiais (NEE), com idades entre os 9 e os 14 anos. No decorrer do estágio, foi possível identificar algumas dificuldades na compreensão e interpretação de textos orais e escritos, principalmente nos alunos com NEE que para além das dificuldades mencionada acima não conseguem acompanhar a aula por inteiro devido a demorarem mais tempo a ler os textos. Tendo em conta estas dificuldades, produzimos duas atividades que vão ao encontro do conteúdo programático que esta turma esta a trabalhar neste momento, os textos narrativos e o recontar de histórias, e às dificuldades que foram identificadas nos alunos durante a prática pedagógica. Uma das atividades é para ser realizada individualmente através da escrita e a outra é oral e efetuada em pequenos grupos.
A primeira atividade começa com a entrega de uma ficha denominada de “Os elementos do texto narrativo: Lenda das Amendoeiras em Flor” (em anexo), que integra uma descrição de cada elemento que constitui o texto narrativo e um exercício que tem como objetivo o preenchimento de uma tabela a partir do episódio, escolhido previamente pelo professor, da emissão televisiva Mitos e Lendas. De seguida, com a ajuda do professor os alunos leem e analisam a primeira parte da ficha para que não existam dúvidas sobre os elementos do texto narrativo e as suas funções. Depois, segue-se o visionamento do episódio Lendas das Amendoeiras em Flor (ZIG ZAG, 2016) e pede aos alunos para fazerem oralmente uma síntese do que viram, caso o professor sinta que existem aspetos importantes que não foram mencionados ou se os alunos pedirem para repetir o visionamento, o professor pode voltar a pôr o episódio visto que este tem uma curta duração, aproximadamente um minuto. Em seguida, os alunos devem completar a tabela que está na ficha e corrigir a mesma com ajuda do professor.



A ultima atividade da aula é em pequenos grupos, para tal o professor terá de fazer os grupos antes do inicio da aula, para poupar tempo e para que os alunos com necessidades educativas especiais não estejam no mesmo grupo. Neste caso, existiriam quatro grupos em que três deles teriam cinco elementos e o grupo restante teria seis elementos. A cada grupo seria dado um cartão com o nome de uma personagem (Princesa, Rei, Soldados, Dama de Companhia) e a partir dele recontar a lenda do seu ponto de vista e oralmente apresentar o reconto aos restantes grupos.
Concluímos então que, a utilização da televisão no ensino, tal como tudo na vida, tem vantagens e desvantagens. As vantagens da sua utilização são a exploração do visualizar diante de nós outras realidades, outras pessoas, outros cenários e as relações espaciais e temporais, os ritmos visuais, a música e os efeitos sonoros que interagem entre si invocando-nos memórias/ lembranças de situações passadas, a criação de espectativas prevenindo reações e informações e a sobreposição das linguagens, isto é, a linguagem verbal e a não-verbal (Ferreira, 2010).
Porém, como é mencionado acima, existem desvantagens. A televisão está ligada a um contexto de ócio e de entretenimento, levando os alunos a pensarem que este tipo de recurso “significa descanso e não ‘aula’” (Ferreira, 2010: 23). Outra desvantagem é o excesso de estímulos, isto é, pode existir um afastamento da atenção por parte do educando para aspetos não relevantes em contexto de aula (Freitas, 2013). Contudo, pode-se contornar as desvantagens aqui faladas se o professor conseguir utilizar de forma correta este tipo de recurso. Não se fala de técnica, mas do melhor momento para ser utilizado e a maneira que deve ser explorado.
 Para terminar, é necessário referir que a escola deve utilizar a televisão como um recurso de aprendizagem, pois esta proporciona às crianças e jovens “experiências de aprendizagem mais numerosas e diversas” (Falcoeiras, 2017).
           

Referências Bibliográficas

Buescu, H. C., Morais, J., Rocha, M. R., & Magalhães, V. F. (maio de 2015). Programa e Metas Curriculares de Português do Ensino Básico. Obtido em 3 de dezembro de 2017, de Direção-Geral da Educação: http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Metas/Portugues/pmcpeb_julho_2015.pdf
Falcoeiras, T. (2017). Aprender com a TV na Escola.
Ferreira, E. C. (2010). O uso dos audiovisuais como recurso didáctico. Tese de Mestrado, Faculdade de Letras da Univerisdade do Porto, Porto. Obtido em 30 de novembro de 2017, de https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/55002/2/tesemesteuricoferreira000123322.pdf
Freitas, A. (2013). Utilização de recursos visuais e audiovisuais como estratégia no ensino da biologia. Beberibe: Universidade aberta do Brasil. Obtido em 1 de decembro de 2017, de www.uece.br/sate/index.php/downloads/doc_download/2145-biobbrbeofreitas
Lopes, A. (2007). Perceção dos alunos e professores da escola estadual ensino fundamental e médio Efigênio Leite, sobre a influência dos recursos audiovisuais tecnológicos do processo ensino-aprendizagem. Tese de Mestrado, Universidade Federal da Paraíba, Bananeiras. Obtido em 30 de novembro de 2017, de http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf3/tcc_percepcao.pdf
Márcia, A. (Ed.). (2011). Texto Narrativo. Obtido em 2 de dezembro de 2017, de Aprende Português: http://segundociclo.webnode.pt/products/texto-narrativo-/
Recursos audiovisuais: Conceitos de audiovisual e tecnologia educativa. (2005). Obtido em 1 de dezembro de 2017, de Prof2000: http://www.prof2000.pt/users/hjco/audioweb/recav/pg00030.htm
ZIG ZAG. (janeiro de 2002). Obtido em 1 de dezembro de 2017, de https://www.facebook.com/pg/zigzagrtp/about/?ref=page_internal
ZIG ZAG (Realizador). (2016). Lenda das Amendoeiras em Flor [Filme]. Obtido em 25 de novembro de 2017, de https://www.youtube.com/watch?v=1Qk5Dzt6GLc


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