Ligação e potencialidades das novas tecnologias para uma melhor cidadania

A sociedade atual, também denominada de sociedade da informação, é caracterizada por uma nova era que vem “contribuir fortemente para mudanças estruturais da sociedade”, a Era Digital (Flores & Escola, 2008: 1381).
Hoje, tanto as crianças como os adultos utilizam as novas tecnologias nas suas vidas quotidianas, sejam estas utilizadas a nível profissional, académico ou simplesmente por lazer. Quando nos referimos às novas tecnologias, não são apenas os computadores, mas todos os “recursos tecnológicos que ajudam a promover a literacia” (Dias & Santos, 2015: 133) dos cidadãos, ou seja, são recursos que permitem às pessoas adquirir aprendizagens sobre diversas literacias através da tecnologia.
A globalização e o desenvolvimento cientifico e tecnológico, a nível da informação, constituem mudanças e novas necessidades para a sociedade e, consequentemente, são exigidas novas competências aos cidadãos (Botelho, 2005; Botelho, 2006). Neste sentido, as novas tecnologias vieram contribuir para melhorar a cidadania, isto é, a “pertença a uma comunidade política democrática, a um conjunto de direitos e deveres associados a essa pertença e a participação nos processos políticos, económicos e sociais dessa comunidade” (Lopes, 2015: 548). Assim, tal como dissemos anteriormente, as novas tecnologias vêm ajudar na aprendizagem de multiliteracias, que são imprescindíveis para a contribuição dos cidadãos na mudança social através de uma participação ativa, onde as pessoas têm a capacidades de “selecionar, interpretar, reconhecer códigos de linguagens diferentes e expressar o seu pensamento” (Flores & Escola, 2008: 1390) de forma crítica e reflexiva, numa sociedade democrática.
Com a chegada das novas tecnologias, a sociedade tem de se organizar e estabelecer determinadas regras e objetivos a cumprir. Estas regras e objetivos devem incluir todas as pessoas, sejam estas mais velhas ou mais novas, sejam ricas ou pobres, ou seja, não pode existir infoexclusão. Assim, segundo Rodrigo Baggio (2000:16), “o mundo da tecnologia também se configura como uma forma de inclusão social”. Para tal, diversas organizações, associações e escolas criam projetos que envolvam toda a comunidade, como por exemplo a criação de um Diploma de Competências Básicas em Tecnologias da Informação, o programa Internet@eb1 (visa criar condições para que os alunos de 4º ano tenham competências para obter um certificado de habilitações de competências básicas em tecnologia e informação), o projeto IEBI (Internet na Escola Básica Inicial) e o projeto TINA (Tecnologia de Informação para Netos e Avós) (Osório, Ramos, & Valente, 2005; Gonçalves & Patrício, 2010)
            As escolas são muito importantes na construção de cidadãos que participem ativamente na sociedade. A educação para a cidadania está inserida no currículo desde o pré-escolar ao ensino secundário e abrange diversas áreas devido a existirem preocupações transversais à sociedade, sendo uma delas a educação para os media, que incentiva “os alunos a utilizar e decifrar os meios de comunicação social, nomeadamente o acesso e utilização das tecnologias de informação e comunicação, visando a adoção de comportamentos e atitudes adequados a uma utilização crítica e segura da Internet e das redes sociais”(Educação para os Media, 2014). Assim, de acordo com Silva (1999: 84-85 in Osório, Ramos, & Valente, 2005: 1057) a escola e os professores têm um grande desafio, que consiste em:
“compreender o funcionamento destas tecnologias que podem proporcionar a passagem de um modelo curricular baseado na reprodução de informação para um modelo de funcionamento assente na construção de saberes aberto aos contextos sociais e culturais, à diversidade dos alunos aos seus conhecimentos, experimentações e interesses”.
            Tal como referimos anteriormente, existem diversos projetos que envolvem a escola e a comunidade onde esta está inserida. Um desses projetos é o TINA, Tecnologias de Informação para Netos e Avós, que tem como objetivo principal promover o relacionamento familiar, entre avós e netos, através das TIC (Gonçalves & Patrício, 2010).
            O TINA é um projeto lançado em 2010, no entanto esta ideia parte de um outro projeto denominado Portal dos Catraios – O Portal dos miúdos e graúdos da Educação de Infância e do Ensino Básico que remonta entre 2002 e 2003. Este projeto, advém da necessidade de assegurar a participação de todos os cidadãos numa sociedade que está em constante evolução cientifica e tecnologia, mesmo que a população esteja a envelhecer (Azevedo, 2015; Baggio, 2000; Gonçalves & Patrício, 2010).
            O projeto TINA nasce através da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança e tem na sua composição duas ações de formação onde incidiram conteúdos básicos de utilização das TIC, por exemplo a introdução ao Windows, ao Word e à Internet, dois workshops relacionados com a segurança na internet e com ferramentas da web que permitem a comunicação e, por fim, um concurso de Webquests (Gonçalves & Patrício, 2010). Para além, de tudo o que já foi referido sobre este projeto, os participantes tiveram a oportunidade de fazer um exame que lhes concedia o Diploma de Competências Básica em Tecnologias da informação, que é “um instrumento de combate a infoexclusão, de reforço da cidadania e de promoção da coesão social no contexto da Sociedade da Informação” (Gonçalves & Patrício, 2010: 289). Os resultados deste projeto foram obtidos com a elaboração de dois questionários, o primeiro para conhecer melhor os participantes e o segundo para avaliar a ação de formação dos participantes. É de fazer notar que os resultados foram positivos, ou seja, as TIC “podem ser elementos decisivos para aproximar gerações diferentes, promover o reforço dos laços familiares, a partilha de experiencias entre gerações e combater o isolamento social dos idosos” (Gonçalves & Patrício, 2010: 291).
            Ao longo deste texto, temos vindo a abordar a temática das novas tecnologias e da cidadania, tendo como principal objetivo refletir como é que as novas tecnologias contribuem para uma melhor cidadania. Podemos então concluir que as novas tecnologias contribuem para a aprendizagem de multiliteracias, que ajudam na evolução da sociedade e na mudança social, isto é, concedem aos cidadãos diversas formas de acederem a informação, selecioná-la e refletirem sobre a mesma para que estes tenham uma participação ativa na sociedade, e permitem também a comunicar através de diversas ferramentas que ajudam a ultrapassar as barreiras geográficas beneficiando as pessoas mais velhas e fazendo com que estas não fiquem infoexcluídas e isoladas socialmente.

Referências Bibliográficas

Azevedo, C. (2015). A influência das novas tecnlogias de informação e comunicação nas relações sociais de pessoas mais velhas em Portugal. Em S. Pereira, & M. Toscano (Ed.), Literacia, Media e Cidadania - Livro de Atas do 3.º Congresso (pp. 100-109). Braga: CECS.
Baggio, R. (2000). A sociedade da informação e a infoexclusão. Ciência da Informação, 29, n. 2, pp. 16-21. Obtido em 19 de outubro de 2017, de http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a03v29n2.pdf
Botelho, F. (14 de julho de 2005). Globalização e cidadania: reflexões soltas. Obtido em 16 de outrubro de 2017, de Setubal na rede: http://www.setubalnarede.pt
Botelho, F. (9 de agosto de 2006). Texto e literacias... Obtido em 16 de outubro de 2017, de Setubal na rede: http://www.setubalnarede.pt
Dias, C., & Santos, C. (2015). A literacia das ferramentas Web 2.0 é relevante no contexto educacional? Em S. Pereira, & M. Toscano (Ed.), Literacia, Media e Cidadania - Livro de Atas do 3º Congresso (pp. 133-146). Braga: CECS.
Educação para os Media. (29 de abril de 2014). Obtido de Direção-Geral da Educação: http://www.dge.mec.pt/educacao-para-os-media
Flores, P. Q., & Escola, J. J. (2008). O papel das novas tecnologias da informação e comunicação na construção da cidadania: a plataforma Moodle no 1º ciclo do Ensino Básico. Em M. d. Martins, & M. Pinto (Ed.), Comunicação e cidadania - Atas do 5º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (pp. 1380-1393). Braga: Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (Universidade do Minho). Obtido em 18 de outubro de 2017, de http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/5sopcom/article/view/128/124
GONÇALVES, V., & PATRÍCIO, R. (2010). TINA: um projecto para netos e avós. Em F. Costa, G. Miranda, J. F. Matos, I. Chagas & E. Cruz (Eds.), I Encontro Internacional TIC e Educação: Inovação Curricular com TIC (pp. 287-292). Lisboa: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Obtido em 20 de outubro de 2017, de http://ticeduca2010.ie.ulisboa.pt/wp-content/uploads/2017/02/LivroACTASticEDUCA2010.pdf
Lopes, P. C. (2015). Literacia mediática e cidadania: uma relação garantida? Análise Social, L (3.º), (n.º 216), pp. 546-580. Obtido em 19 de outubro de 2017, de http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/AS_216_a04.pdf

Osório, A. J., Ramos, A., & Valente, L. (2005). Competências bâsicas em tecnologias de informação: reflexões sobre uma estratégia de promoção da cidadania. Em Bento D. Silva & Leandro A. Almeida (Ed.), VIII Congresso Galaico- Português de Psicopedagogia (pp. 1051-1059). Braga: Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Obtido em 20 de outubro de 2017, de http://www.valente.org.pt/downloads/artigos/competencias_basicas.pdf

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